Vi o último programa do lulla na tv na esperança de que, contrariando todas as pesquisas, isso já aconteceu na Bahia e no Rio Grande do Sul, dê uma zebra no domingo e ele pegue o Aerollulla e volte voando para o ABC, de onde nunca deveria ter saído prá começo de conversa. E na esperança, também, de que com a posição delle muito confortável nas pesquisas, eu pudesse notar alguma diferença em relação aos programas anteriores. Por exemplo, já vi marta, A Fiel, uma harpia que bota fogo pelas ventas quando dá entrevistas no rádio para “desconstruir o Geraldo”, como ela diz. Coisa que nem ela nem o merdacante conseguiram no primeiro turno, quando levaram nas urnas uma sova de criar calo.
A marta, A Fiel, fez sua pontinha com uma indescritível cara de boazinha, coisa que não é a praia dela. Vi também a chauí, dita A Filósofa, professora da USP, autora da frase-ícone desta eleição “Quando lulla fala o Brasil se ilumina”. As falas filosóficas do lulla, reproduzidas em mais de 320 páginas do livro “Viajando com o Presidente”, devem mesmo ter chegado ao Brasil com tanta luz, está todo mundo andando de óculos escuros por aí, mas de ouvidos tapados. A chauí, eu participo do movimento humanitário “Um namorado para a chauí”, tem a autoridade da sua frase garantida pela autoria de um livro de 3.000 páginas sobre Spinoza, as notas de pé de página vão anexas num livrinho de umas 300 páginas, obra que deve ter dado um tremendo impulso à geração dos milhões de empregos que o lulla tanto fala que criou, como nunca antes neççepaíz.
Esse último programa, para mim, não foi nenhuma decepção. Na categoria MTV, entregou o feijão-com-arroz de sempre. Foi tão falso quanto todos os outros deste segundo turno e os do primeiro também, um mega estelionato eleitoral, baseado na Novilíngua, praticada à tripa forra pelu ômi e sua tropa de choque do Partido Interno: “Inguinoranssa é Çaber”, “Mentira é Verdade”, “Terrorismo é Paz”.
Acostumei-me.
Só falta agora a Polícia do Pensamento entrar em ação. O Monge das Trevas, gushiken, e thomaz bastos, o Criminalista de Porta de Cadeia, estão na moita e sumidos demais para o meu gosto, suspeito deles quando somem e assusto-me quando reaparecem. Talvez estejam ultimando os retoques da nova corporação, que pode ficar sob o comando do coronel oliva, Gafanhoto do Monge na nebulosa secretaria de assuntos estratégicos, que age nos porões do Çistema, e dono do cargo de irmão do merdacante e filho do general oliva.
No meio do papo de sempre, lulla também faz cara de bonzinho para esconder o bravateiro dos comícios, que fica andando de um lado para o outro com o microfone na mão, tipo assim um Mick Jagger feio, barbudinho e barrigudinho, inovou na fala. Alguém escreveu para elle que o país não está rachado nesta eleição, elle não pençou duasveiz e falou, esquecendo-se que eu vi o mapa dos votos, na segunda-feira 2 de outubro. O Brasil que paga a conta votou no Geraldo, o Brasil que pendura a conta votou no lulla.
Teve lugar comum, o desgastado clichê de campanhas eleitorais com a impressão digital de Herr Von duda, feitas para o maluf e para o mesmíssimo lulla. Aqueles clipezinhos de mulheres grávidas cantando e dançando, em que só faltam as mulheres grávidas para ser mesmo um clipezinho de mulheres grávidas. Mas teve uma novidade, Herr von duda descolou um escritor para apoiar lulla. Finalmente um escritor de verdade, Paulo Coelho. É o pior escritor do mundo, mas é um escritor. Isso de ser best seller não refresca nada, lulla também é best seller e a gente sabe a droga que elle é.
Abre parênteses. O que não teve, para minha admiração, foi o monte de juízes, funcionários públicos que largaram o trabalho no Brasil inteiro e foram ao Palácio do Planalto beijar a mão do Noço Guia. É possível que alguém faça a maldade de dizer que aquilo já garantia boa vontade do Judiciário com a tonelada de processos contra o gunnnverrrno por corrupção. A mesma boa vontade que o jobim, dizem que futuro sinistro da justiça, tinha no STF com o pobrezinho do zé dirceu. Sei lá, eu seria incapaz de pensar uma coisa dessas, mas vai ver que num programa festivo, de comemoração de vitória, não queriam mostrar aqueles caras que se vestem de lúgubres capas pretas para trabalhar. Fecha.
Agora a revelação que deixei para o final, obtida com o Deep Throat numa garagem subterrânea, no mais absoluto segredo. É fonte da maior confiança, suas informações aos jornalistas do Washington Post derrubaram Nixon. Ele me garantiu que o programa do lulla era tão falso, mas tão falso, que o índio não era índio, era japonês. A apresentadora negra, linda, acabada a gravação da minissérie foi para o chuveiro e saiu de lá branca e loira. E os jovens não eram jovens, vinham da mesma sala de Botox de onde saíram marta, A Fiel, lulla, o Fuhrer, dona marisa, A Galega, chauí, A Filósofa, e Herr Von duda, o comandante-em-chefe da Mentirobrás, a estatal mais poderosa “deççepaíz”.