Tudo parado. Desligue o motor e dê uma lida neste texto.

Os compatriotas do primo rico que nos visita hoje dizem “Thanks God It´s Fryday”, graças a Deus é sexta-feira. Nós sabemos que por algum motivo que não sabemos, as sextas-feiras atraem o caos no trânsito. Hoje, temos dois motivos claros, aquele que nunca sabemos e o que sabemos, as ruas bloqueadas para a megacomitiva do primo rico passar.

As opiniões estão confusas sobre os reais motivos dessa visita.

Uns afirmam que a CIA sonegou seus relatórios classificados “Top Secret”, assim êle não sabia onde estaria se metendo. Outros deram a entender que conspiradores queriam conduzi-lo a uma armadilha mortal — o trânsito de São Paulo. Não é loucura pensar isso. Sou fã das séries de tv e em quase todas a CIA é a vilã. Na 5ª. eletrizante temporada de “24 Horas”, o agente Jack Bauer descobriu que o bandidão-mór trabalhava no “Oval Office”. Era o presidente em pessoa, manipulado pelo telefone por aquela carequinha que era médico no “ER”. Thomas Skidmore, o famoso brasilianista, afirma que o primo rico veio para dar uma força ao primo pobre, com o objetivo de transformá-lo numa saída direitista para a América Latina, contrapondo-o ao crescimento do petroesquerdismo chávizta. Respeitemos a bagagem de Skidmore e o direitismo do primo pobre.

Não há nada mais direitista do que um esquerdista no poder, se é que o primo pobre foi mesmo esquerdista algum dia. Seria quase impossível para o primo pobre aceitar o papel de barreira a chávez, a quem chama de “hermano” e cumpanhero. A CIA ou não conhece o jogo ou escondeu o jogo. A ministra Condy (lá é secretária de Estado) também não brifou direito o primo rico. Ele entenderia por que o partido do primo pobre, seu anfitrião e com quem mantém relação fraterna, pichou as ruas do trajeto da sua comitiva com sonoros (escritos em maiúsculas) “Fora Bush”, e organizou ruidosas manifestações contra êle. Há também a importantíssima agenda do álcool. Nesse assunto, os dois primos podem trocar experiências com muita propriedade. O primo rico fez uma confissão pública sobre o seu problema, antes mesmo da primeira eleição. Era grave.

Tratou-se, curou-se, fez o que seus compatriotas mais prezam que é errar, admitir, pagar o preço, corrigir-se e confessar. Confissão conta ponto. Ganhou a primeira eleição. Seu desempenho, ou a fragilidade da oposição, conduziu-o ao segundo mandato, muito discutido por causa da contagem dos votos decisivos da Florida, onde o seu irmão Jeb era governador. No “Oscar”, transmitido para 1 bilhão e 500 milhões de espectadores, seu adversário Al Gore foi aclamado como “presidente”.

Sobre o primo pobre já não sabemos tanto. Os erros aqui são sempre não contabilizados como Caixa 2 e somem. Há algum tempo, ao ir para uma de suas incontáveis viagens, o ministro furlan, na comitiva, disse sobre o primo pobre “êlle não bebe há 10 dias e emagreceu 40 quilos” (será que foi vice-versa? meu Deus, é o terrorista islâmico AL Zheimer me atacando de novo). Notícia tão boa que a tv deu com destaque à noite e os jornais abriram primeira página no dia seguinte. Os caras de má índole (como eu) torceram o nariz para o hercúleo esforço, acusando: “marketing do puro, do legítimo, do escocês”.

Há outra versão, vinda de Washington. No dia em que o vice-presidente Chenney sofreu um atentado no Iraque, o primo rico chamou a ministra e ordenou “Condy, acha aí um lugar onde a gente possa ir e levar só vaia e não bomba”. Ela respondeu de bate-pronto “Breziu”. Tinha lido sobre o “brasileiro cordial” e não entendeu direito. Tudo parado ainda. Motor desligado, você economiza etanol.

Etanol? Acho que já ouvi falar nisso.
FALTAM 1.382 DIAS. OU MAIS. DEUS NOS AJUDE.