Num comício em Osasco, valhacouto do mensaleiro João Paulo Cunha, o candidato Lulla, sem partido*, disse com a voz de sempre, o sotaque de sempre e a sintaxe de sempre, mas com a cara lavada e renovada pelo Botox: “Serra vomita preconceito contra os nordestinos pobres”.

Mais uma mentira, desta vez ao vivo, que se soma ao Festival de Mentiras que Assola o País, em gravações diárias na tv e no rádio, nos programas políticos do candidato Lulla, sem partido*, e seus sequazes, candidatos a governador, senador e deputados federais e estaduais.

Serra, filho de imigrantes, não vomitou nada. Apenas disse numa entrevista à Globo que São Paulo tem muitos migrantes, o que é verdade, e que isso exige muito do sistema de educação, o que também é verdade. Serra não se referiu a nordestinos, nem a nordestinos pobres. Essa afirmação transparente e com base nos fatos virou uma falsificação grotesca da imagem transmitida pela Globo e um texto que afirmava que “Serra é contra os migrantes, portanto contra os migrantes nordestinos e portando contra os migrantes nordestinos pobres”.

Com base no ensinamento do seu mestre Goebbels, marqueteiro mor de Hitler, “repita uma mentira mil vezes que ela vira verdade”, os marqueteiros do candidato Lulla, sem partido*, (Herr von Duda uber alles?) repetiram a mentira desprezível mil vezes no horário político, também cantada em jingle o dia inteiro, e a mentira virou verdade, mas uma verdade só para a própria cumpanherada.

O Cumpahêro Acima de Todos viu a obra-prima ao aprovar peçoalmente o programa, diz lá entre elles que o Grande Çábio não deixa essa tarefa para ninguém mais, já que a sua cara renovada aparece o tempo todo, e fazendo uma das suas metáforas prediletas “quem xuta o pênarti é o presidente do crube”, chutou.  Viu, gostou e acreditou tanto que com seus inegáveis dotes de fino escritor melhorou a frase, tornou-a mais curta e, portanto, mais incisiva, acrescentou um verbo elegante, vomitar, que ele foi buscar na algibeira e inaugurou-a no comício de Osasco.

Com seu senso de palanque onde viveu em tempo integral nos últimos trinta ou trinta e cinco anos, com seu senso de palco que parece ter aprendido no Actor´s Studio e desenvolvido nas mãos de Herr von Duda, com um senso de silêncios janísticos , os olhos fuzilando lacerdísticamente e a capacidade de dizer absurdos sem nem mudar a respiração, e isso é o que o candidato Lulla, sem partido*, tem de mais lullístico, disparou no seu Grande Momento daquele dia: “O Serra vomita preconceito contra os nordestinos pobres”.

O palanque recheado de mensaleiros soltou um “ohhhh!” de admiração. O público, claque numerosa transportada e alimentada para aplaudir, quase em transe pelo simples fato de testemunhar a presença do Meçias, viu o palanque iniciar os aplausos e acompanhou. Claque é isso, quando não está sendo transportada ou comendo, acompanha tudo, enterro, aplausos, vaia, cantorias, refrão, palavras de ordem, pesquisas. É da essência da claque acompanhar, nem que seja acompanhar Ibope, Datafolha, VoxPopuli.

Quem gosta de ser enganado, tem a chance de acompanhar o Festival de Mentiras pelo rádio e tv. No programa do candidato Lulla, sem partido*, “esse país” vai tão bem, com imagens tão maravilhosas, com gente tão feliz e bem empregada e uma das “melhores çaúdes do mundo”, que até dá vontade de morar lá. Pena que só dura oito minutos e o sonho acaba. Voltamos para o pesadelo que é morar no país do candidato Lulla, sem partido*. Mensaleiros, dólares na cueca, impostos escorchantes, o de todos os dias.
 
* Procurei no programa de tv do candidato Lulla o nome do partido dele e não achei. Mas Deepthroat, um informante que encontrei numa garagem, garantiu que o partido é o pt. Vendo pelo preço que comprei.
VOTO NULO É VOTO LULLA.