Deus me deu duzorêia e doizôvidiu (igualzinho que nem deu pro manolulla iscuitá as vaia i us aprausu) pra eu iscuitá us pipôco das Tropa diZelite qui num pára di pipocá. Pipoca nos vídeos, continua do lado de fora das janela, us mano pára um poco pra recarregá, continua no radinho Ratatatata….” Nunca mais que acaba, num tem Zi Ende, nem Zéfiní.

O filme “Tropa de Elite”, 2007, de José Padilha, deixou-me em estado de choque. Teve até agora 9,4 — uma das notas mais altas jamais dadas pelos visitantes do Internet Movie Data Base (www.imdb.com).  

É uma tremenda história, bem contada como vi poucas. O roteiro descende do melhor Tarantino, de “Cães de Aluguel” e “Pulp Fiction”. Vai e vem no tempo, entrelaça personagens, cruza caminhos, parece o pipôco das metranca, “Ratatatatata…”

A trilha sonora,Ratatatata…”, é o pipôco das metranca.

Você desvia das balas que voam para todos os lados.

Quase compra o fumo e o pó que sustentam as AK-47 e a sua munição.

Testemunha a corrupção que rói a polícia por todos os lados.

Sente-se cúmplice ao observar as nossas crias fumando e cheirando a droga que sustenta os traficantes pés-de-chinelo, donos das bocas, que subornam ou trocam chumbo com a polícia.

Sobra uma ponta solta, o peixe graúdo e invisível que fornece mercadoria

para o traficante pé-de-chinelo vender para nossos filhotes universitários, ongueiros, grávidos de “consciência social”, subtraficantezinhos e usuários “sociais”, recitando Foucault na faculdade com cumplicidade do professor, “a polícia corrupta é instrumento de dominação do Estado opressor”.

A polícia é corrupta sempre, só prende os “3 pês”, preto, pobre e puta.

O co-roteirista Rodrigo Pimentel, ex-capitão do BOPE, Batalhão de Operações Especiais, rasgou as veias e deixou escorrer o sangue da história, ficção com tudo a ver com a realidade.

José Padilha, diretor, usou o que aprendeu na realidade do “Ônibus 174”,2002, documentário magistral, para fazer a ficção “Tropa de Elite” tão real e assustadora quanto a realidade.

O elenco é impecável. A fotografia te coloca no centro da narrativa, a edição em permanente tensão.

Ao examinar a corrupção policial, parece fazer metáfora da política.

Há corrupção porque há corruptos, há corruptos porque há corrupção.

O sistema alimenta-se do sistema e fortalece a si mesmo, é imbatível.

Enquanto houver otários comprando, haverá traficantes espertos vendendo pó e fumo. E políticos espertos, vendendo promessas, mentiras e ilusões.

Ninguém quer estragar esse bolo, está ótimo para quem está por cima.

“Tropa de Elite”, o filme, diz que há anticorpos para vencer por dentro            o apodrecimento do organismo policial. É a Tropa de Elite, o BOPE.

Um grupo de fundamentalistas da Lei e da Ordem, incorruptíveis                       e intocáveis como “Os Intocáveis”. Vestidos de preto como a SWAT. Treinados para torturar e matar traficantes e policiais corruptos, sem remorso nem punição. Higienização social.

É aí que as porcas politicamente corretas torcem seus rabinhos.

“Tropa de Elite” seria um “clip americano de violência”. É mesmo. Duro

é fazer com tanta precisão e arte. Luc Besson tentou, nunca conseguiu.

Seria “fascista” porque aparenta defender a existência de um grupo violento, comandado por algum maníaco fanático, promotor-juri-juiz-e-carrasco, que, cumprida a Sagrada Missão de limpar a sociedade, seria um poder à sombra, tipo “camisas negras” do Mussolini, “camisas pardas” ou SS de Hitler.

Digamos que o risco seja real.

Cadê a alternativa? Assim como está, está bem? Estamos em boas mãos? Dê sua opinião. Mais de 3 milhões de pessoas viram “Tropa de Elite” sem finalização nem som corrigido, em telinhas de computador com sonzinho de computador, ou em lamentáveis cópias piratas.

Apaixonaram-se, o filme tem mágica. Toca algum nervo oculto que todos temos, mas tentamos negar ou esconder que o temos.

Deveria trazer uma advertência, como os maços de cigarros:

“Cuidado. Este filme pode revelar a você quem realmente você é”.

 

“TROPA DE ELITE”, VEJA COM MODERAÇÃO.