A estalta do Cristo Corcovado foi eleita uma das Sete Novas Maravilhas. Não entendi. A Grande Muralha da China e o Taj Mahal eu entendo. Não só pela fama que têm, mas pelo que representam para a história, arquitetura e engenharia dos seus países.

A estalta do Cristo não é nada. Vamos separar o assunto por partes como fazia Jack “O Estripador”, para ver se me explico com clareza.

Separemos o Cristo da estalta. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Não me meto a discutir o sentido histórico, político ou religioso de quem influencia a humanidade há dois mil anos seguidos, nem a atuação nos seus 33 anos de vida. Cristo não era candidato. A estalta era. Ela foi feita por um escultor italiano há uns 70 anos e nunca foi citada como obra-prima. Não tem valor histórico e não sei se tem valor artístico. Artistas e críticos nunca mostraram-se entusiasmados por ela.

Você vai ao Museu Uffizi, em Florença, e leva um tranco quando vê o Davi do Michelângelo. O Davi original está protegido no museu quase como a Mona Lisa no Louvre, em Paris. O Davi da piazetta é uma cópia, também é obra de arte. Você não leva um tranco vendo o Cristo Corcovado. A estalta em si se não ofende ao gosto, não tira o fôlego. Uma das obrigações de uma Maravilha, antiga ou moderna, é tirar o fôlego. A Grande Muralha tira, mesmo tendo uma droga de McDonald´s na entrada. O Taj Mahal também tira, é ver e cair para trás. O Corcovado não. Não te derruba. Se você for Atleta de Cristo, aí quem sabe. O tamanhão provoca admiração. É enorme e arranca suspiros de qualquer cristãozinho baixinho meia boca.

O Cristo Corcovado é uma estalta, não é uma imagem santificada. Se não fizer o nome do padre para ele, como faz quando passa na frente do altar de qualquer igrejinha, não será amaldiçoado pelas beatas vigilantes.

Tirante Cristo que, repito, não está em discussão, e a estalta que não é lá essas coisas, resta a natureza, o entorno, a moldura. (Imagine-a emoldurada pelo Complexo do Alemão, sugeriu Marcos Sá Correa. Fiasco puro).

Aqui temos que cair de joelhos.

Em profunda tristeza, para obrigatória prece de arrependimento, pedindo perdão aos Deuses pela nossa irresponsabilidade, por deixarmos tamanho crime de destruição ser cometido contra aquela Maravilha.

E remorso, quando vemos a Maravilha que poderiamos ter, essa sim de tirar o fôlego, se tivessemos um pingo de vergonha na cara.

O gênio de Millor Fernandes definiu. Um marciano estacionou seu Ovni ao pé do Corcovado, subiu como qualquer turista, olhou a vista num giro de 360 gráus e exclamou irado “Mas são todos canalhas !”

Mesmo assim, a estalta virou candidata do governo. O que a canalhice do homem fez ao ambiente não foi percebido nem discutido. Veja a canalhice de hoje contra a Amazônia, ninguém liga.

O Pai do Filho vestiu a camiseta e pediu votos de braços abertos.“Nunca antes neççepaíz fumus indicadu pra Maravia du Mundu”, patriotou palanqueiro. marta, a dragoa, não tinha mesmo nada para fazer, virou caba eleitoral. Recebi uma avalanche de e-mails exigindo meu voto.

Não votei. Não dá para acreditar nelle, ainda mais depois que se arvorou em Criador do Mundo em um único dia, 1º. de janeiro de 2003 (feito o quê, discanççô e nunca mais trabaiô — nesta parte eu acredito).  E a dragoa gozando, dizem que é múltipla, em múltiplas entrevistas atribuindo ao lullismo a votação do Cristo Corcovado. “O propulsor da vitória foi lulla”, bajula amestrada. Como madrinha dessa vitória do Braziu-ziu-ziu, a dragoa botou as garras de fora na guerra intestina, dentro dos intestinos do pudê, pela sucessão do Pai do Filho de Deus.
Mas o Pai vive na Eternidade e nessas latitudes não há sucessão possível.

A aquele que  poderia reivindicar o posto (zédirceu acha que é delle, por Direito Divino), o Pai armou a mais escandalosa crucificação pública.

Elle ççabe u qui fais i cum quem ta lidanu.
 
ELEIÇÃO FOI “FARSA GLOBAL” ACUSOU O JORNAL ESPANHOL “EL PAÍS”.