Mudo de tristeza, sem saber o que falar para consolar os que choram seus mortos do avião da TAM; berrando de indignação porque tenho toda convicção, embora nenhuma prova concreta, de que foram assassinados pela corrupção na gestão do cumpanhero petista Carlos Wilson na presidência da Infraero, exponho aqui meu luto. Sempre tento escrever com algum senso de humor. Hoje é um espaço negro, em solidariedade aos que se foram e aos que ficaram. Entre os que ficaram, está o próximo. Eu e você, nossos parentes, vizinhos, amigos, clientes e conhecidos. Corrupção mata. Congonhas passou por reformas cosméticas, superfaturadas em mais de 100 milhões de reais e nenhum centavo investido na segurança, como já denunciou a Veja. A pista central foi entregue há dezenove dias, sem estar pronta. Quarenta e oito horas antes do avião da TAM, dois outros aviões acidentaram-se na mesma pista. Era a Crônica do Desastre Anunciado.

Antes de autorizar o pouso do avião da TAM, os controladores pediram à Infraero a situação da pista. “Pista operacional”, responderam.  O pouso foi autorizado. Assassinato a sangue frio. Que o grito de terror dos condenados à morte, nos poucos segundos que lhes restaram na vida, some-se à histórica vaia do Maracanã. Agora grita para o mundo a vaia rouca dos túmulos.
 
CORRUPÇÃO MATA. O PRÓXIMO PODE SER VOCÊ.