Os otários de sempre, nós, vamos pagar esse PACau* até o último centavo da nossa paciência já esgotada. O interminável programa de tv de lançamento poderia ser assinado pela Mentirobrás, a mais poderosa estatal deççepaís, responsável pela campanha da reeleição, comprada com o bolsa-esmola. Todo mundo estava lá. Até Mãinha, dona marisa a Verdadeira (não a Outra, a viça), que morria de sono, chegou a cochilar coitada, poderia se perguntar “o que eu estou fazendo aqui no meio dessa chatice”. O motivo desse espetáculo, talvez o esperado e anunciado “Espetáculo do Crescimento”, que ocupou as rádios à tarde, as tvs à noite e os jornais no dia seguinte, era esse mesmo — ocupar a mídia. Mostrar ao povão e à zelite que a Segunda Vinda está em pleno andamento. Êlle descia dos céus numa carruagem de luz, trazendo 500 bilhões na mala, como é do costume partidário. E não era para comprar dossiê suspeito. Era para destravar eççepaíz. 500 bilhões de qualquer coisa é um monte, assim como o trilhão da dívida interna é uma cordilheira, 10 milhões de empregos a gente nunca viu e o biodiesel só existe na discurseira oficial.
Sábios jornalistas e economistas fizeram análises desse PACau* que vamos pagar, mas confesso que são como bulas de remédio. O que entendi era só efeito colateral. Pode curar, pode não fazer nenhum efeito, pode matar o doente.
Pulando os “nunca antes neççepaíz”, indo direto às letras pequenas, ficamos sabendo de início que os 500 bilhões são mais um milagre da multiplicação de “pães” do santo estoque do Padim Padi Ciço. Os apóstolos somaram tudo o que as estatais e o governo previam para 4 anos, chegaram a 493 bilhões (a Petrobrás planeja 154 bilhões até 2011), não gostaram do jeitão do total e cataram mais 10 bilhõezinhos, para as fanfarras tocarem 500 bilhões, número redondo e grandioso.
Identifico nessa mágica a impressão digital do cumpanhêro Delfim. A maior parte será destinada ao país aliado Nordeste-Norte, que deu uma vitória esmagadora ao Noçço Guia. As migalhas serão jogadas ao país inimigo, que lhe aplicou uma sonora sova nas urnas. Aqui se faz, aqui se recebe. Ou se paga.
Notem que nenhum cartola falou em segurar as despesas do governo. Nem em reduzir os impostos imorais que, pagos como reparação de guerra, financiam a farra e esmagam o Otariado Nacional, na sua maioria alistado nas hostes inimigas.
Se der certo, como elles combinaram com São Judas Tadeu, o santo dos desesperados, (tomara que dê) o doente estabiliza. Se for como todos os nossos outros PACaus*, com exceção do Plano Real, não fará nenhum efeito e ficaremos na mesma. Se o PIB não obedecer azórdis do Paizinho dos Irmãos Brothers Chinaglia & Rebelo, como tem teimado em não obedecer, e recusar-se a crescer 4,5% neste ano e 5% a partir do ano que vem, estamos ferrados. O esforço para manter o Haiti por baixo vai para o buraco do metrô.
Dando certo ou errado, vamos pagar caro. O Galvão Bueno do Planalto declarou a mais de 100 prefeitos que fiscalizará tudo peççoalmente e prestará contas todos os dias à população. Mais umas duas horas de tv por dia daquela cara, daquele botox, daquele gogó, daquela voz, daquela sintaxe e daquele sotaque. É demais da conta para um pobre zelite agüentar. (Ao fundo em bg, entra som de bateria de escola de samba, puxador tipo Jamelão canta o abre-alas): É a campanha do 3º. mandato chegando aí, geeente.
*PACau. Pacote muito bem “embrulhado”, bonitinho por fora e fajuto por dentro.
FALTAM 1.434 DIAS. HAJA PACIÊNCIA…