Essa história de que a enigmática e milionária campanha do número 3, do Bando do Brasil seria uma coisa “subliminar”, o que quer que isso seja, para criar um clima favorável ao 3º. mandato do Amigão da Banquerada, é paranoia da pura, da legítima, da escocesa.
Sou paranoico dos bons e sei reconhecer uma paranoia das boas quando a vejo. O Amigão da Banquerada precisa disfarçar a “pavimentação dos trilhos” para o 3º. mandato tanto quanto precisa de um tiro no pé.
A preciosa frase “pavimentação dos trilhos” é delle.
Algo “subliminar” seria uma força invisível, que o empurraria a uma ação que talvez não queira praticar. Se praticá-la, nem notará e vai pensar que foi um ato de livre vontade.
Trabalho em publicidade há mais de 40 anos e fiz uma carreira respeitada. Nunca vi nenhum exemplo de campanha que o obrigasse a se entupir de Pepsi, Coca e pipoca, sem que você percebesse ou quisesse. Li histórias de testes que teriam ocorrido em sessões de cinema, nos anos 60. Não vi comprovação de nenhum deles. Não passam de lendas urbanas. Há livros sobre publicidade subliminar, há quem acredite neles.

Eu não acredito. Não acredito também na Santíssima Trindade.
Sou ignorante confesso. Acredito em Cristo e em tudo o que foi narrado que viveu e sofreu, mas não acredito que nasceu de uma virgem. Preciso antes acreditar que no tempo dele havia inseminação artificial e que as virgens poderiam engravidar in vitro, para só depois acreditar em publicidade subliminar.
Depois do 1º. mandato inteirinho em cima do palanque, batalhando a reeleição que jurava que não queria, cantando com aquela voz e aquele sotaque o jingle “Nunca antes neççepaíz”, o Amigão da Banquerada foi para o 2º., batalhando claramente o que quer agora (o 3º. mandato), jurando também que não o quer. Está há oito meses em cima do mesmo palanque cantando o mesmo jingle.
Milenar sabedoria oriental:
“Cavalo ganha uma vez, sorte; cavalo ganha duas vezes, coincidência; cavalo ganha três vezes, aposte cavalo”.
Eu aposto um dedo mindinho que cavalo quer 3º. mandato.

Nada houve de invisível, a corrida para o 3º. mandato é pública, notória, filmada, fotografada, irradiada, estás nas tevês, jornais e rádios todos os dias, numa assustadora ocupação da mídia.
Então, por que essa esquisitice, a campanha do número 3 está no ar? As explicações são mais esquisitas do que a campanha. Não as entendi. Ouvi, porém, que essa campanha teria custado 10 milhões de reais. Duvido.
Pelos “teasers” em grego e comerciais de 3 minutos incompreensíveis, custou muito mais. Some as camisetas (o encenador suplicy disse que são “tucanas” por serem amarelas e azuis, arrancando gargalhadas dele mesmo, da quadrilha aliada e da oposição), e os milhares de “folders” caríssimos e você bate fácil nos 40 milhões.
Grana dos acionistas que foi para o ralo, sem acrescentar um único novo correntista à clientela. Mas talvez salve a Terra, quem sabe.
A internet fervilhou com centenas de e-mails preocupados com o risco do 3 ser mesmo uma campanha para o 3º. mandato. Não acho que seja.
3 palavrinhas explicam o 3 do Bando do Brasil – grana para mídia. Compra a ocupação explícita e nada subliminar da mídia pelo Amigão da Banquerada na sua visível e indiscutível campanha pelo 3º. mandato.
Para isso, o 3º. mandato, a campanha do 3 é inútil e desnecessária.
Para aquilo, a ocupação da mídia, é útil e necessária.
O “porta níqueis” nosso franklin domina a maior verba publicitária da nossa história e com ela compra o que quiser e quando precisar.
Vemos, lemos e ouvimos, com raras exceções, só que o Seu Mestre deixa.
Enfurna-se o ridículo de fotos como as do painho cheirando o bio-sebo e mãinha com a maior cara de nojo.

Mais de 260 mil funcionários públicos podem ser efetivados pelo congresso, por lobby da república sindicalista no pleno comando deççepaíz (“todo poder aos sovietes”, pregava a Lênin), e ficamos por isso mesmo.
A arrecadação de impostos bate recordes, mal se resvala no assunto (com as exceções de sempre). Um em cada quatro brasileiros, quase 50 milhões de pessoas, recebe o bolsa-esmola.
Em quem você acha que votarão quando chegar a hora?
Se existe mesmo a propaganda subliminar para o 3º. mandato, é pura perda de tempo – já está tudo dominado.



É PRECISO VAIAR.