Zidane e as bengaladas no zé dirceu.
Neil eu vaio o lullismo Ferreira.
14 de julho de 2006 –
Você não deve ter esquecido, como eu não esqueci, aquêle senhor que encheu o zé dirceu de bengaladas. Não há nada que justifique esse ato, mais simbólico do que violento. Mas fala sério, lavou a nossa alma revoltada com o espetáculo de imundície moral dado pela quadrilha chefiada por dirceu.
Lembrei-me disso quando, atônito, vi Zidane, o mais sublime jogador desta Copa, jogar o bicampeonato mundial pela janela e dar uma cabeçada no italiano Materazzi, sob os olhares de mais de um bilhão de espectadores. Mesmo tendo sido eleito o melhor jogador da Copa e premiado com a Bola de Ouro, sua explosão e expulsão marcarão a sua carreira mais do que as glórias que conquistou.
Chirac disse que Zidane é homem e não Deus e, portanto, erra, tentando compreender o que aconteceu, da mesma maneira como lulla “explicou” o “erro” dos cumpanheros, que enfiaram a mão em milhões de reais de dinheiro público.
Você não deve ter esquecido o “nosso” delúbio, silvinho Land Rover, marcelo sereno, genoíno, os dólares na cueca, a dançarina gorda da pizza no congresso, o “profeçor” luizinho fotografado nu ao lado de duas operárias da noite da troupe de Mary Jean Corner, joão paulo cunha, paloffi, okamoto, lullinha.
Mensaleiros e Corruptos unidos jamais serão vencidos. Eu acompanho o campeonato italiano pela RAI e pela ESPN e sei que Materazzi é um defensor medíocre e violento, reserva da seleção, para quem os deuses dos estádios apontaram o dedo na final e o escalaram para fazer o pênalti que Zidane transformou em gol, dar a cabeçada que Barthez não defendeu (igualzinha a que Zidane deu e Buffon defendeu na prorrogação), fez outro pênalti que o juiz não deu mas a tv mostrou à saciedade para o mundo inteiro e se envolveu no lance crucial, o da expulsão de Zidane.
O que ele teria dito que cegou Zidane? Ele sabe o que falou. Zidane sabe o que ouviu e como ouviu. Eu não justifico Zidane, mas compreendo. Eu já fiquei igualmente cego uma vez na minha vida.
Foi em novembro do ano passado, no mais aceso da crise da lama em que o pt mergulhou o país. Eu estava em Paris, na Église de Saint Germain des Près para assistir a um desses concertos tão comuns nas igrejas parienses, e eis que eu vejo lá tarso genro. Esse mesmo, o ex- “ministro” da “refundação” da Educação, o ex-presidente da “refundação” do pt, que iria negar legenda para os mensaleiros e os corruptos (ele foi defenestrado e os corruptos e mensaleiros estão todos lá, candidatíssimos) e hoje é um “ministro” que vévi i viajeia às nossas custas tramando a reeleição do Noço Guia.
Ele estava na primeira fila com uma mocinha, não sei se sua filha ou se uma mocinha caixa dois, contabilizada, mas não declarada. Eu comecei e enxergar vermelho. Eu queria ir lá e dizer para ele em alto e bom som que mais do que roubar o dinheiro público, organizando a maior onda de corrupção que eu tinha visto na vida, o pt tinha feito pior, tinha enganado e roubado o sonho de uma geração.
Eu pensei, se eu for lá e ele esboçar uma reação sequer, eu vou cair de porrada em cima dele. Mas achei que não adiantava nada falar com um cara que tem a moral e a ética na política de um petista de alto escalão. O negócio é ir direto na porrada mesmo sem nem explicar por quê.
Fiquei cego. Minha mulher percebeu e graças à cabeça fria e juízo dela, eu evitei dar um escândalo, acabar com um concerto numa igreja maravilhosa e talvez até ser preso. Mas ele teria levado uma bela surra ao som de Bach, o que é honra demais para um petista corrupto, metido com corruptos e mensaleiros. Pego o cara na saída, pensei. Minha mulher, que a vida inteira foi muito mais inteligente do que eu, percebeu e me tirou de lá na base da conversa suave e da persuasão.
Entendo o Zidane. Não justifico, mas entendo. Eu também teria jogado tudo para cima e não sei quais consequências essa besteira traria para a minha vida. Encher o tarso genro de porrada, besteira?
Será? Confesso que a vontade não passou até hoje.