Eu sou um ING, Indivíduo Não–Governamental.
Neil “eu vaio lulla” Ferreira.

07 de dezembro de 2006 –

Não sou cumpanhero, não pago dízimo para o partido, nem simpatizante eu sou. Só vi o valerioduto e o propinoduto pela mídia. Conheço a Santíssima Trindade, marcos valério, “noçço” delúbio e genoíno, só de fotografia. Sou aquele a quem Millôr Fernandes endereçou sua mortal frase: “Quem fala mal da corrupção está cuspindo no prato onde não comeu”. Sou eu, sem tirar nem pôr, “esculpido em carrara” (o mármore), que é a origem da expressão “cuspido e escarrado. A minha cara é a cara “cuspida e escarrada” de um ING, Indivíduo Não Governamental, o avesso perfeito do IG, Indivíduo Governamental, estrelado e chapa-branca, com blog garantido no ig.

Acredito que existam umas cinco mil ONGs, mas só conheço dois INGs de carteirinha, eu e o músico e compositor Zé Rodrix. Claro que há incontáveis simpatizantes da causa. Tenho certeza de que logo sairão dos armários, para proclamar sua preferência à luz do sol. Ainda teremos um Dia do Orgulho ING, com uma passeata de milhões de pessoas, umas 40 milhões se levarmos em conta as últimas eleições.

Desse tanto de ONGs, a maioria dedica-se às causas nobres, defendendo a inclusão dos carentes e desvalidos. Acredito que assim seja. Mas a cada momento explode um escândalo novo, envolvendo uma ONG. A mídia trata do assunto, aí explode outro. E outro. Mais outro. Se você somar todos os escândalos, é claro que são uma gotinha perto da enorme quantidade de ONGs.

Podem até ser as exceções que confirmam a regra. Mas há um elo ligando essas ONGs envolvidas em notícias “menas” abonadoras, o que deixa um ING como eu com a pulga atrás da orelha (expressão antiga, mas que explica muito bem como me sinto). Todas são dirigidas por cumpanhêros petistas cuspidos e escarrados, ou seus laranjas.

Dou dois exemplos, poderia dar muitos mais. A ONG “13”, de Santa Catarina, é uma malona cheia de dinheiro, “M.O.” (“Modus Operandi”) preferido pela cumpanherada. Três meses depois de fundada, recebeu 30 milhões de reais do sinistério do trabaio e repassou a dinheirama para a filha mais velha você sabe de quem. Quando terminou o repasse, a ONG fechou. Não ficou aberta nem seis meses. Quem operou a “torneira” foi o Lorenzetti, o popular “Chuveirinho”, especialista em capturar e destinar dinheiro. E em assar costelas impecáveis nos churrascos oferecidos você também sabe por quem. O que a menina teria feito com tanto dinheiro só se sabe por ouvir dizer. Fala-se muito em duas nobres causas, (1) comprou um apartamento de luxo para morar e um mais modesto para renda, e (2) destinou o saldo para as ações sociais e beneméritas do MST, como invasões de fazendas, destruição de pesquisas agronômicas e bloqueios de estradas.

Outro exemplo é a ONG “Vira Latas”, dirigida por um cumpanhero do gabinete do mensaleiro João Paulo Cunha, deputado federal do pt/SP, reeleito, apanhado metendo a mão da mulher dele num inocente chequinho de cinquenta contos do valerioduto. O cumpanhero onguista afirma que os vira-latas da sua ONG são humildes catadores de lixo reciclável. Não se sabe se vacinados e com coleiras.

Nem se a grana ongueira transforma-se em rações viralatais ou se vira algum desses ossos saborosos, que a cumpanhêrada adora roer e nem pensa em largar.

Uma ONG é, por definição, uma Organização Não-Governamental. Mas as ONGs dos cumpanhêros são as entidades mais governamentais do mundo. Sua grana vem direto do governo, via ministérios e estatais. Outras ONGs afirmam que são mantidas por verbas repassadas pela iniciativa privada.

E são mesmo. Mas a grana da iniciativa privada nunca sai do próprio bolso, sai da renúncia fiscal. Também é dinheiro do governo. Então, o que é Não-Governamental nessa história? Eu e o Zé Rodrix, que somos INGs. E somos zelite. Daqui para frente, só vai ser zelite quem apresentar carterinha de ING.

Mas eu queria mesmo era ser ONG, Organização Não Governamental.

(E quem não queria?)

Acompanho pela internet um debate rico e bem-informado sobre as ONGs.
Discute-se até se há plural ou não, citando-se o Novo Aurélio e o Manual de Redação do Estadão, fontes do maior respeito.

Concorda-se que giram em torno de 5 a 6 mil, talvez mais, mas discorda-se
de um monte de coisas, que não tenho conhecimento para me meter.

Uma coisa, porém, sei com certeza. O governo destinou 13 Bilhões de Reais
para ONGs cumpanheras em 2007.

Segundo entendi, são dispensadas de qualquer responsabilidade jurídica e isentas até de prestação de contas. É pedir, meter a mão na grana, deixar rolar e sumir.

Essa a minha vocação, viver de mesada.

Vou solicitar a minha.

Abri a ONG “Um Velho e Dois Jovens Carentes”,para me beneficiar e aos meus dois filhos. Vai colar, me ensinaram, se eu destinar os 20% para a pessoa certa e os 15% para o partido certo. Sobram 65%, tá demais de bom para um dinheirinho que

“Caiu do cééééééééééééuuu !!!”