Voto nulo é voto Lulla.
Neil Ferreira.
04 de agosto de 2006 – 

Começou na tv e no rádio a campanha do TSE falando das eleições. O texto é forte:

“Pense e vote. O Brasil está nas suas mãos. O Brasil é tão bom quanto o seu voto. Vota Brasil. É preciso votar.”

Concordo totalmente. O Brasil é mesmo tão bom quanto o nosso voto. Os mensaleiros, os corruptos, os sanguessugas, a bailarina da pizza, todos foram votados, nenhum foi nomeado. Os deputados federais e estaduais, os senadores, o Lulla, foram eleitos com os nossos votos, o Lulla teve 53 milhões de votos.

Estão todos aí de volta pedindo os nossos votos de novo. Lulla, Palocci com dois CPFs e oito indiciamentos, quatro por corrupção, João Paulo Cunha, “Profeçor” Luizinho, Genoíno. E os quarenta indiciados pelo Procurador Geral da República, quase todos estão por aí outra vez.

Menos o Roberto Jefferson, cassado. E o comissário José Dirceu, cassado também, mas ativíssimo, atravessando o Brasil inteiro de jatinho fretado ninguém sabe por quem, costurando ou comprando os apoios, celebrando com Romanée Conti e charuto cubano, igualzinho na eleição de 2002. Pense, diz a campanha do TSE. Pense, digo eu, se você quer ou não a continuação desse lamaçal. E vote. Você tem a força, nós temos a força. Somos 128 milhões de eleitores, um fantástico exército democrático, armado com uma arma tão poderosa quanto os misseis israelenses ou as FAL dos traficantes: o voto.

É preciso votar. Mais que nunca é preciso votar.
Mas atenção no adversário. Adversário ou inimigo, nem sei mais. Acho que pelo que fizeram nestes quase quatro anos e pelo que ameaçam fazer nos próximos quatro, são inimigos sim. O inimigo pode ser analfabeto, mas não é burro. É muito esperto. Veja a campanha do voto nulo que de boca em boca inundou “esse país” e de computador em computador inundou a internet. Não conheço ninguém que não tenha sido atingido pela mensagem do voto nulo e não conheço nenhum computador que já não tenha recebido pelo “menas” umas dez mensagens com a mesma conversa. Uma campanha com a duração que esta tem, começou junto com a denúncia aos mensaleiros e as CPIs, e o seu alcance nacional, custaria bilhões de reais se fosse feita pelos meios convencionais.

O alvo preferencial é claríssimo pela linguagem empregada e pelos métodos de ação. É o eleitor jovem, decepcionado pelo voto dado ao Lulla e ao PT em 2002, que chorou na frente da tv e com os jornais e revistas nas mãos, quando os escândalos estouravam quase um (ou até mais) por dia ou por semana. Traído pelo seu primeiro amor político, que o enganou como sendo de esquerda e de ética na política, está agora a um passo de votar na oposição.

E é bombardeado pela boca a boca e pelas mensagens na internet, tentando enganá-lo de novo como sendo suprapartidário, mas não é, como sendo em defesa da moral e dos bons costumes na política, mas não é. É do PT mesmo, em defesa de “tudo isso que está aí”.

Eles acham, com alguma razão, que o eleitor jovem está desanimado e pode acreditar que o voto nulo é um voto de protesto. Eles têm a pouca vergonha de afirmar que com cinquenta por cento mais um de votos nulos, a eleição estará anulada, sabendo que eles mesmo não vão anular nenhum voto deles. Nós precisamos explicar aos eleitores jovens próximos de nós que o único voto de protesto possível é não votar em nenhum candidato da Aliança Mensaleira, começando pelo Cabessa da Xapa e escolher candidatos decentes para votar.

Quem está tentando convencer o eleitor jovem a votar nulo acha que vai desviar voto da oposição e vai abrir espaço para seus candidatos mensaleiros e corruptos, candidatos de novo na maior cara de pau. E um voto a menos na oposição é um voto a mais no Lulla.
Voto nulo é voto Lulla.