Rainha por um dia.
Neil Ferreira.
17 de novembro 2006 –
Um dia destes, um “comunista” confesso tomou posse como presidente do Brasil, o maior país católico do mundo, e ninguém deu a mínima. Ele foi presidente por um dia, 17 anos depois que o Muro de Berlim foi derrubado e você nem notou.
É aldo rebelo, deputado federal e presidente da Câmara, PC do B/SP. Acompanhei pela TV Câmara a campanha dele como candidato chapa-branca à presidência. O gunnnverrrno jogou na sua inleiçção todo o peso da base de apoio, formada com os usos e costumes do mensalão, que nunca existiu como afirmou gushiken, o Monge das Trevas, recentemente defenestrado, mais um do núcleo duro a quem lulla entrega o boné. O próximo pode ser Gilberto Carvalho, atolado até as orelhas no assassinato do Celso Daniel.
aldo rebelo viajou para Alagoas, acho que nasceu lá, ele tem uma cara de fã do collor que vou te contar, mesmo jeitão, mesmas grifes, mesmo tudo, viajou para o piauí, não a revista do Joãozinho Salles, mas a capitania hereditária de algum albuquerque cavalcanti, e não pronunciou as palavras “comunista” e “São Paulo” nem uma única vez. Pelo sotaque, parecia um nordestino tão puro que recebeu o carinhoso codinome de “Boneco de Olinda”. É o segundo na linha de sucessão presidencial neççepaíz.
O lulla, Noço Painho, é o dono da cadeirona, reeleito com 25 milhões de votos comprados pelo bolsa-esmola. O vice, josé “Coteminas” alencar, doente nos Estados Unidos, é o primeirão. O “comunista” aldo rebelo é o segundão. É aqui que a porca torce o rabo. Domingo passado à tarde, lulla fez o que todo cidadão brasileiro, em pleno uso e gozo dos seus direitos constitucionais e faculdades mentais, pode fazer também. Pegou seu aviãozinho pessoal, encheu de cumpanheros, e foi à Venezuela abrir o voto no cumpanhero Chávez. Tinha que passar o gunnnverrrno para alguém, “Coteminas” não podia. Tinha o aldo. “Só tem tu, vai tu mesmo”, decidiu o Farol da Humanidade, mas matutando com os seus botões que nem o banco de reservas do córintcha é pior que o delle.
aldo que sabiamente entrou calado (burro calado passa por sisudo), resolveu abrir o bico logo na hora mais errada da vida, no dia mais importante da sua vida. Falou pelos cotovelos. Confessou seu “comunismo” e, pior, “abriu o ponto”, disse que estava no terceiro ou quarto mandato por São Paulo, nem lembro mais, tal o susto
que levei.
Fui pesquisar. O PC do B tinha dois anúncios, um com criancinhas cantando e outro com dois pedreiros elogiando o lulla. As criancinhas nunca se confessaram
“comunistas”, “mutio menas” os pedreiros. E na campanha destas eleições, tinha o aldo rebelo, sim, candidato a deputado federal por São Paulo, com um sotaque muito “menas” forte do que o outro, que eu tinha acostumado a ouvir quando ele falava na tv. Era o latifundiário da propaganda do PC do B, só dava ele. Em nenhum momento informou que era “comunista”. No discurso de “posse” como rainha por um dia, citou muito um português, um tal de Marques, acho que seu guru.
Preciso fazer justiça à sua produção legislativa, que o levou a merecer a presidência do Brasil ainda que por apenas um dia (mas pode ter mais, lulla adora o aviãozinho e “Coteminas” está com a saúde na marca do pênalti).
aldo, num rasgo de invejável nacionalismo, dedicou seus mandatos à criação do “Dia do Saci”, como oposição ao “Halloween”, coisa de colonizado, à proibição do uso de expressões estrangeiras, como por exemplo “e-mail” e à obrigatoriedade da mistura de 10% de farinha de mandioca à farinha de trigo, na fabricação do pãozinho. Presidiu por um ano a CPI da Nike procurando trambiques multinacionais que tivessem levado a seleção à derrota contra a França, em 1998, achou o que ninguém sabia, Ronaldo “El Gordo”, na época Ronaldo “Fenômeno”, teve um troço a abalou o time inteiro.
São Paulo deu três ou quatro mandatos a aldo e três a suplicy. A zelite tá mutio
esquisita.