Lulla quer criar uma comissão de reflequiçção.
Neil Ferreira.
15.12.2006 –
Não sei se é a última ideia deste mandato ou a primeira do novo. Elle divulgou a preciosidade na reunião com Chávez e Evo Morales, na Bolívia.
A ideia é preciosa mesmo. Uma Comissão de Reflequiçção deve equivaler aos “think tanks”, tão caros aos norte-americanos nos anos 80 e 90 do século passado. Caros, porque com custo altíssimo. Eram financiadas por megaempresas privadas ou por ex-executivos bilionários. Um exemplo é que o inventor da Xerox, talvez o último inventor individual norte- americano, mandou erguer em Los Angeles a edificação mais moderna, confortável e equipada que o dinheiro poderia comprar e colocou lá, com bolsas integrais, cientistas, professores, estudantes, administradores, com a única incumbência de pensar o impensável. Não sei os resultados da experiência, nem se ela continua. Mas a ideia em si era revolucionária, contratar inteligências brilhantes para criar ideias e projetos em direção ao desconhecido só com dinheiro privado.
Não sei se o Noçço Painho pensou em fonte de financiamento para a tremenda ideia que teve. O que me parece lógico é que elle tinha a ideia escondida na manga. Seria o primeiro grande impacto do novo mandato, a ser anunciado com discurso na posse e campanha de propaganda no dia seguinte. Igual ao vitorioso programa (de tv) Fome Zero. Acontece que nessa reunião, o cumpañero Chávez esqueceu que era hermano querido e bateu feio abaixo da linha da cintura do Farol da Humanidade, com metáforas viagrais sobre qual medicamento a integração continental precisaria tomar para levantar suas forças combalidas.
Decretou a morte irrevogável do Mercosul, tão caro aos noçços sonhos, convidando todos ao velório. “Vamos enterrar nuestros muertos”, disse, sem derramar nenhuma lágrima. Nem mandou antes o clássico telegrama “Mercosul subiu no telhado”. Apanhado “de calças curtas” (sic, elle já falou isto antes, em outra situação saia justa), Painho reagiu com a velocidade do raio e lançou a resposta ao cumpanhêro provocador “vamos criar uma Comissão de Reflequiçção”. A noçça onrra foi lavada no ato…
Eu ouvi dizer, não tenho prova, que já foi nomeada uma comissão para marcar uma reunião, que vai determinar quantos cumpanhêros serão nomeados para estudar a nomeação da Comissão de Reflequiçção. Esses cumpanhêros receberão jeton por sessão, mais despesas. O primeiro ato depois de estabelecidos os números máximo, médio e mínimo de reflequiççintes, será convocar uma assembleia cumpanheral para tirar uma posição que a comissão levará às bases, dando prova da transparência, cidadania e democracia do processo da nomeação da primeira comissão.
Isso será repetido na nomeação da segunda. E da terceira, quarta, quinta, quantas comissões os cumpanhêros julgarem necessárias para transformar seus jetons em justa remuneração pelo trabalho tão suado.
Os representantes das bases poderão opinar sobre cada cumpanhêro candidato à reflequiççintura. O veto só poderá ser apresentado em voto aberto e com justificação pelo cumpanhêro vetante e só será aprovado por maioria absoluta, já que o candidato à nomeação para o cargo de cumpanhêro reflequiççinte foi indicado por uma comissão nomeada por (escrevi isso ali atrás e já esqueci quem nomeou o cumpanhêro candidato agorinha mesmo citado). Tudo bem, eu sou confuso, mas os cumpanhêros não são. Elles sabem direitinho de antemão de quantos cumpanhêros precisarão nomear, já que conhecem, não sei como, talvez por palavra de ordem, quais são os cumpanhêros candidatos a reflequiççintes, indicados pelos cumpanhêros dirceu, palocci, delúbio, genoino, mercadante, os de sempre. Quem tem padrinho não morre pagão. Claro que o Imperador do ABC esperava com sua ideia, a Comissão de Reflequiçção, provocar um choque de digestão na América do Sul inteira. (Alckmin falava tanto nisso). Mas enorme agito assim na sua casa, lugar em que é possível “o pai na cozinha não saber o que o filho faz na sala”, elle não esperava, não viu, não çabe, ninguém contou.