Gente fina é outra coisa.
Neil Ferreira.
04.01.2006 –
“FDP, canalha, judas, traidor”. Foi disso que o deputado federal Jorge Bittar, PT/RJ, chamou o senador Delcídio Amaral, PT/MS, na sessão da CPMI dos Correios que aprovou o relatório do deputado federal Osmar Serraglio, PMDB/PR. Tendo dito, Jorge Bittar tentou dar um murro em Delcídio e só não conseguiu porque outros litigantes, da bancada do Deixa Disso, impediram.
Bittar e Delcídio são “cumpanheros” de partido, o PT do Lulla, imagine só se fossem adversários como essa sessão seria mais animada.
Bittar é uma figura no mínimo bizarra, sua atuação na CPMI foi sempre a de melar o que estivesse acontecendo. Quando no plenário o deputado federal Roberto Freire, PPS/PE, ocupava a tribuna e tentava falar, Bittar, semiescondido atrás da bancada do PT iniciou uma espécie de vaia emitindo ruídos estranhos, Freire desafiou-o “se quiser censurar a minha palavra, seja homem, venha à tribuna e mostre a sua cara”. Bittar silenciou. Além de fino é também covarde.
Bittar é igualzinho aos senadores Ideli, Sibá e Tião Viana e aos deputados federais Devanir, Maurício Rand, Abi Calil, Henrique Fontana e Ângela Guadagnin, aquela do “É o Tchan” da pizza. Sei disso porque assisti a muitas sessões das CPIs, gravei as caras e os nomes, são todos do PT, alguns mais histéricos do que outros, mas todos sem exceção empenhados em melar tudo. Como eles gostavam de dizer dos outros, são farinha do mesmo saco.
O que não compreendo é como recebem votos suficientes para chegar às duas casas do Congresso. Ver suas finas estampas e ouvir suas vozes e sua sintaxe é quase um convite a não se votar neles, mas êles são votados e isso é um mistério para mim.
Mas como não ainda não sou um idiota completo, não é um mistério para mim o
neogranfinismo do deputado federal João Paulo Cunha, PT/SP, ex-metalúrgico embrulhado para presente como outros ex-metalúrgicos de sucesso: o presidente Lulla, o ministro do “Trabalho” Luiz Marinho, aquele mesmo da história das festinhas da Volks alemã regadas a recepcionistas da Mary Jean Corner deles, e o trem pagador Paulo Okamotto.
João Paulo, mensaleiro e mentiroso, mentiu que a sua mulher foi ao banco Rural pagar uma conta da tv a cabo e depois foi obrigado a engolir a mentira e confessou que ela foi retirar 50 contos do valerioduto. Com seu terno de corte impecável fez a sua defesa recheada de Aristóteles, Sócrates e Jesus Cristo, criticou a mídia e a opinião pública. Safou-se. Por 256 votos a 207 foi considerado não cassável por seus pares, mensaleiros ocultos no voto secreto daquela votação desavergonhada.
A boa notícia é que Lulla estava enganado quando disse que havia 300 picaretas no Congresso, há 256, estamos melhor com 44 picaretas a menos. Quem sabe na próxima eleição a gente consegue reduzir mais um pouco esse número. Assim, aos pouquinhos, de picareta em picareta a menos, a gente acaba limpando o Congresso daqui a umas dez eleições. São só quarenta anos, eu não vou ver isso, quem sabe a minha netinha veja, a esperança está vencendo o medo de ver essa gang do PT perpetuar-se no poder.
Ver na tv a cara de santo do João Paulo, ver o cinismo com que enfrentou a opinião pública, pois ele enfiou a mão no dinheiro e mentiu e sabe disso, ver a maneira como negou palocchianamente tudo, ver negativas que se repetem de alto a baixo em todos os escalões do governo, João Paulo era o segundo da linha de sucessão no Brasil quando mergulhou no valérioduto, só é superado pelo que veio no fim da sua fala: o aplauso em pé do plenário e das galerias.
Um aplauso longo, caloroso, tão ofensivo a quem tem vergonha na cara quanto foi a dança da deputada Ângela Guadagnin. Por enquanto estamos nas mãos deles.
Por enquanto eles negam, Lulla nega, Palocchio nega, Dirceu e Gushiken negaram, Genoíno negou, Delúbio, Silvinho Pereira e Marcelo Sereno negaram.
Todos caíram só falta um, que flutua abraçado num Thomaz Bastos ainda armado com um arsenal de ideias e experiência na profissão de livrar a cara de criminosos.
Mas outubro chega logo, chega mais depressa do que a gente pensa, outubro está quase aí, que medo que essa gente deve ter de outubro. Talvez o “stalin” Dirceu nem tanto, a revolução chefiada por Lenin passou para a História como a “Revolução de Outubro”. Mas o comissário está mais dedicado agora a beber Romanée Conti no Antiquarius.
Gente fina é mesmo outra coisa.