Eu sou o cachorro atropelado na porta da minha casa.
Neil Ferreira.

21 de julho de 2006 –

As redações dos melhores jornais convivem com duas verdades estabelecidas pelos fatos: (1) na cobertura de uma guerra a primeira vítima é a verdade, e (2) um cachorro atropelado na sua porta te comove mais do que dez mil pessoas mortas por um tsunami na Indonésia – ou pelos conflitos do Oriente Médio.

Falo isso porque deveria estar comovido, e estou, pelas mortes deste absurdo que está acontecendo agora no Líbano e em Israel, que incluem até um brasileirinho de oito anos de idade que o destino colocou no caminho de um míssil israelense.

Mas acontece que estou com um cachorro atropelado na porta da minha casa, o que me emociona muito. E o cachorro atropelado sou eu, e isso me emociona mais ainda. Não é que fui atropelado agorinha mesmo. Estou sendo atropelado faz tempo, quase quatro anos, e se não tomarmos jeito vou ser atropelado mais quatro anos no mínimo.

A última jamanta que passou por cima do meu lombo foi o Datafolha, como sempre com excesso de carga. Se olharmos dentro da margem de erro, Lulla e Geraldo estão como Minas, estão onde sempre estiveram e daí não arredam pé. Lulla acima dos quarenta e tantos por cento e Geraldo abaixo dos trinta.

Isso é uma lambada nos brios do povo brasileiro, como é que pode com tanto escândalo, tanta corrupção, tanto mensaleiro solto e lampeiro por aí, tanto Zé Dirceu para cima e para baixo de jatinho fretado ninguém sabe por quem, tanto José Rainha indo e voltando para Brasília em jatinho de fazendeiro do Pontal do Paranapanema, tanto Stédile fazendo palestra na Escola Superior de Guerra. E ainda mais, como o creme em cima do sorvete, os nomes dos deputados sanguessugas, noventa e cinco por cento deles da base de apoio do “governo”, e u ômi firme lá em cima no Datafolha, a aprovação do “governo” du ômi subindo firme nas pesquisas.

Duas coisas eu entendo, os banqueiros biliardários apoiam u ômi porque nunca os bancos ganharam tanto dinheiro como agora. E o lúmpem pensa que está ganhando algum com a bolsa-esmola, que está comprando uns vinte e cinco milhões de votos para a reeleição du ômi. Pai dos pobres, mãe dos ricos.

Mas e os milhões dos outros, e nós todos, por que nunca aparecemos na pesquisa? Você algum dia já foi pesquisado pelo Datafolha, Ibope, Vox Populi, Sensus, Toledo & Associados, não é que eu duvide deles, mas você já foi? Já? Tem mais peso na jamanta. Os sete por cento que estão afiando a peixeira de “Dame” Helô. De onde ela tirou isso, claro que foi de onde ela saiu, de onde saíram seus cumpanheros Chico Alencar, Babá,

Luciana Genro, Plinio de Arruda Sampaio, o PT, são todos ex-petistas enojados com o comportamento do PT. Só sete por cento, apenas sete por cento, um tiquinho de gente esses sete por cento, quase ninguém.

Quero dizer, do total da massa pesquisada, quarenta e tantos por cento fecham firme com u ômi, sem se importar nadinha com o que já aconteceu de corrupção e pode acontecer mais ainda. E os setinho porcentinho de “Dame” Helô mostram que quase ninguém do PT ficou com vergonha daquela bandalheira toda.

É peso demais numa jamanta para um pobre cachorro sobreviver ao atropelamento (e sem contar quantos misseis atingiam Haiffa e Beirute, quantas vidas foram ceifadas enquanto você lia este artigo).
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Aproveito este espaço para tornar pública minha adesão ao movimento humanitário “Um namorado para Marilena Chauí”, aquela que disse “Quando Lulla fala o mundo se ilumina”. O movimento foi lançado por Alexandre Marques ([email protected]).