A culpa é do Fernadô Henriquê.
Neil Ferreira.
07 de Julho de 2006 –
Já passou uma semana, horas e horas de tv e rádio e toneladas de papel e tinta de imprensa foram gastas, 180 milhões de pessoas deram suas opiniões, ninguém pediu a minha, mas eu vou dar porque o esporte nacional hoje, e nos próximos quatro anos, será procurar um culpado, eu também tenho o meu.
A Copa de 50 tem cinquenta e seis anos e ainda é chamada de “Tragédia do Maracanã”, Bigode e Barbosa até hoje são Os Imperdoáveis e não passa pela cabeça de ninguém lembrar que Gighia, que fez o gol da vitória deles, possa ter algum mérito.
No jogo contra a França a mesma coisa, há uma unanimidade nacional pondo a culpa de tudo no Parreira, nos Ronaldos, o Gordo e o Magro, no Roberto Carlos, no Cafu e até no Kaká. Parece que a seleção jogou contra o vento e perdeu, do outro lado não tinha a Marselhesa, Les Bleus, Zinedine Zidane num dia iluminado e mais outros guerreiros dispostos a um banho de sangue, como diz a letra do hino deles.
No hino, uma pista. O Virundum enfrentou o Alonsanfãs quatros vezes em Copas do Mundo, ganhou em 58, perdeu em 86, perdeu em 98 e perdeu em 2006, três a um pra eles, somos fregueses. Uma vez em plena ditadura, acho que em 72, Les Bleus fizeram um jogo amistoso contra a gente e um negro gigantesco, Trésor, marcou dois gols de cabeça, eles ganharam de dois a um e o Maracanã lotado cantou o Alonsanfãs durante o jogo inteiro. Imagine o inimaginável, o Maracanã torcendo contra a nossa seleção que é, como todos nós sabemos, a pátria de chuteiras. Acho que temos um secreto caso de amor com o Alonsanfãs. Meu palpite é que em matéria de hino já entramos perdendo de um a zero.
Mas só isso não explica 98, quando eles nos tomaram a taça na final, e agora, quando nos despacharam para casa mais cedo. Acho que há uma explicação mais profunda e ela está naquele presidente francês que tivemos por oito anos, o Fernandô Henriquê. Bem, se ele não é francês pelo menos pensa que é, tratava Mitterand e trata Chirac com intimidade e todas as vezes que foi lá na terra dele (ou deles) fez discursos em francês com sotaque da Sorbonne de Paris, onde deu aulas. Ele lidera um grupo, Les Tucanôs, altamente suspeito de ter sabotado mentalmente a seleção e que ninguém diga que não fomos avisados.
O Noço Guia Lulla da Çilva, em momento de Genial Clarevidência, investido no cargo de Noço Mais Çábio Cronista Esportivo, que costuma acumular com o de Prinçipal Viajante do País, disse em alto e bom som que havia çetores apostando no retroçeço e torçendo pelas derrotas. Como sempre, Elle foi um perfeito cavalheiro, não “abaixou” o nivel do debate e não citou nominalmente nem Fernadô Henriquê, nem Les Tucanôs nem a çelessão a quem Elle confiara a missão de trazer o équissa para cá.
Nós, os otários nacionais, preocupados com panaquices de “menas” importância como a carga tributária, as estradas destroçadas, a saúde pública em pandarecos, a educação caindo aos pedaços e tentando entender o que o aforismo filosófico- petista “Tchau e bênção” lançado pela professora Marilena Chauí realmente significa, não percebemos a profundidade da fala do Inçuperável Líder.
Em 2003, ganhamos nossos dois primeiros títulos mundiais, fomos campeões e bicampões no Ano I DL (Depois de Lulla). Em 2004, ganhamos mais dois títulos, fomos tricampeões e tetracampeões mundiais no Ano II DL. Em 2005, mais um, fomos pentacampeões no Ano III DL. E em 2006, deveriamos ser équissacampeões mundiais. Mas Fernandô Henriquê chefiou a sabotagem mental. Ecce Homo o culpadô de uma derrota que trouxe um recado aos eleitores brasileiros: favoritos perdem. Brasil favoritíssimo perdeu, Alemanha também. Noço Guia que ponha as barbas de molho.