Em janeiro de 2024 lancei a sessão “Inspiração” no meu Blog. Objetivo é que profissionais da publicidade gravem um vídeo curto dizendo que campanha ou comercial influenciaram na sua escolha pela profissão.
Em quase uma centena de depoimentos da primeira temporada, participaram publicitários das várias áreas das agências, dirigentes, diretores de cena, produtores de áudio e imagem, músicos e locutores.
Muitos citaram mais de um trabalho, o que resultou num processo de lembrança de propagandas antigas, mais umas do que outras, que construiu uma considerável memória da atividade.
Entre as mais citadas está “A Morte do Orelhão”, filme que ficou na história da publicidade brasileira e no legado deixado por um ícone da Criação, Neil Ferreira,
E nesses momentos foi bom lembrar daquele criativo de gênio difícil, irônico quando queria, enérgico em suas posições, segundo definição de seus colegas. Mas ao mesmo tempo um amigo engraçado, com tiradas de humor de agitar a mesa dos restaurantes onde muitas vezes estive com ele convidado por seus parceiros de trabalho.
Na sua partida, lendo sua história, fiquei sabendo que tínhamos algo em comum, embora de gerações diferentes.
Li que começou a trabalhar como office-boy no Diário da Noite, onde tempos depois iniciei minha carreira de jornalista como repórter da editoria de Polícia.
Também trabalhou como redator em jornal, inclusive na Folha, cujo prédio da Barão de Limeira foi QG do “Propaganda & Marketing” que editei durante 12 anos.
Foi nessa época de imprensa especializada em Propaganda que passei a acompanhar o trabalho sempre genial do Neil.
“A Morte do Orelhão” ganhou Leão em Cannes em 1980 quando eu ainda insistia em trabalhar direto de delegacias de polícia.
Como diretor de redação do “Propmark” fiquei conhecendo as outras muitas campanhas de sucesso criadas pelo Neil, como o Leão do Imposto de Renda, o Baixinho da Kaiser e os filmes de Arisco, produzidos pela Net Filmes do amigo Itagiba Cobra, quando fomos enfim apresentados oficialmente.
Sua partida foi um baque para todos os seus amigos e conhecidos. Provavelmente foi se encontrar com Zaragoza, com quem produziu campanhas históricas.
Mas como dizem, a única certeza da vida é a morte. O importante é o que deixamos aqui como legado para a profissão e como educação para nossa família.
Neil foi um mestre nessas duas esferas.
Adonis Alonso
Adonis Alonso
Criatix Comunicação
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