Lá se vai Neil! Caminhando para o céu! Lendo as homenagens dos amigos por aqui encontro as palavras: mito, guru, amigo e tem até uma dissertação. Para mim, ele sempre foi só Neil. Assim assinava os faxes que me mandava na redação da Rádio Eldorado e depois na intensa troca de e-malis nestes 25 anos de convivência.
Anélio Barreto, meu chefe na época, teve a ideia de chamá-lo para comentar os Jogos Olímpicos de Barcelona e cabia a mim ligar para ele de manhã e colocá-lo no ar. Depois de semanas conversando por telefone, me convidou para almoçar e me levou a um restaurante vegetariano. Logo eu que não como salada, estava lá encantada com a inteligência e bom papo que me conquistaram para sempre na frente de um mega prato de alface.
Com ele e por causa dele, li livros que jamais leriam; assisti filmes seguindo seus roteiros; escutei músicas com seus ouvidos; viajei para cidades como Paris e NY em suas descrições; vi quadros com seus olhos; visitei museus que me indicava; aprendia tudo e mais um pouco o que me ensinava. A minha relação pelo jornalismo era reforçada dia a dia pela paixão dele pela escrita. Na época da sua colaboração com o Diário do Comércio, me passava os textos que escrevia antes de publicá-lo para um rápida troca de impressões e pequena revisões em busca da palavra/frase perfeita.
Escrever agora sobre ele, sem tê-lo aqui como revisor, me parece quase um sacrilégio. Se fosse ao contrário, com certeza, sua generosidade faria abrir um sorriso e mandar:

Regiane Bochichi
“Hey, Jude, don’t make it bad
Take a sad song and make it better
Remember to let her under your skin
Then you begin to make it better”
Minha vida com certeza foi melhor a partir do dia em que ele cruzou meu caminho e me ajudou a ser o que sou hoje. Parte de mim é também seu legado. Assim como da sua linda família. Eliana Machado Ferreira, Juliana Machado Ferreira e José Bento obrigada por partilhar comigo essa travessia. Com vcs, consegui não carregar o mundo da dor e da tristeza da sua perda sozinha.Se pudesse, faria como Zaragoza e pediria: “Neil queridinho: volte para casa. Não há como perdoar esta sua partida tão cedo.”